João Jardim Aranha, assumiu a presidência da FPS em 2013. João Jardim Aranha, assumiu a presidência da FPS em 2013. Foto: FPS

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segunda, 27 novembro 2017 14:46

João Aranha: "Tem sido um crescimento meteórico a todos os níveis"

O Presidente da Federação Portuguesa de Surf em entrevista exclusiva...

 

Num exclusivo Surftotal, João Jardim Aranha, Presidente da Federação Portuguesa de Surf (FPS), fala da crescente popularidade do Surf, das recentes conquistas da Seleção Nacional e ainda da preparação para o programa olímpico de Tóquio 2020. É a atualização que se exige. 

 

Para começar, fale-nos da vitória obtida no último EuroSurf realizado na Noruega, do 2.º lugar conseguido no Mundial em Biarritz e se o desempenho da equipa esteve à altura dos objetivos para ambos os eventos? 

João Aranha: Estas duas competições foram bastantes distintas, com realidades e dificuldades totalmente diferentes. Qualquer uma das equipas (mesmo com alguns elementos comuns) competiu ao mais alto nível e garantiu estes dois resultados excelentes. No caso do World Surfing Games, com a inclusão Olímpica, houve um acréscimo de países e um grande aumento do nível dos participantes, o que tornou esta uma prova extremamente disputada até à última bateria do último dia. O mesmo aconteceu nos dois anteriores campeonatos onde Portugal se sagrou também Vice-Campeão Mundial. As nossas seleções demonstraram uma atitude e uma garra que os levou a conquistarem estes históricos resultados. 

No caso do EuroSurf, Portugal partiu como favorito e disputou todos os títulos em competição de uma forma dominadora, garantindo o melhor resultado para Portugal. Com o desenvolvimento do surf na Europa e com a inclusão no programa olímpico, a Europa tem-se vindo a assumir com um cada vez mais alto nível de surf. Se olharmos para os resultados do Campeonato do Mundo de Biarritz, temos três equipas europeias nos três primeiros lugares o que demonstra essa mesma evolução.

 

O que poderia ter corrido melhor, na Noruega e em França, que não correu tão bem?

Em França, não acredito que fosse possível correr melhor, a não ser por algumas situações menos claras na prova em que alguns dos nossos atletas podiam ter avançado um pouco mais na competição. Era bastante difícil atingir o primeiro lugar e o Vice-Campeonato foi uma brilhante conquista. No caso do Eurosurf, terá mais a ver com as condições escolhidas pela Federação Europeia em que o local da prova tinha uma realidade meteorológica bastante complicada e agreste. Tratava-se também de um local isolado que tornava a logística das equipas bastante complicada. Contudo, o resultado foi o esperado.

 

"Com o desenvolvimento do surf na Europa e com a inclusão no programa olímpico,

a Europa tem-se vindo a assumir com um cada vez mais alto nível de surf"

 

- Em Marrocos, em dezembro de 2016, com os jovens talentos lusos a vencerem o EuroJúnior.

 

Na camada mais jovem os resultados tendem a demorar mais a aparecer, apesar de haver muito talento nas praias portuguesas. Portugal ficou em 9.º lugar no último Mundial Júnior disputado no Japão. Que trabalho há a desenvolver nesse campo?

Não concordo muito com essa afirmação, pois essa mesma seleção foi Campeã Europeia, em Marrocos, em 2016. Estamos no bom caminho e com grandes talentos a surgir. Se olharmos de uma forma real e crítica para o campeonato do Japão, constatamos que o nível estava muito alto e que há várias nações com muito bons atletas. Basta ver que a França, campeã em título, terminou na quinta posição. É evidente que existe muito trabalho a fazer e todos os dias esta direção da FPS procura as melhores estratégias, junto com a direção técnica, para desenvolver e procurar novos talentos, bem como potenciar os já existentes.

 

Que eventos tem agora a FPS em preparação para os próximos meses? 

Nesta altura aguardamos os calendários internacionais das Seleções para podermos apresentar o plano das equipas nacionais. Mas, como é óbvio, a direção técnica já está a planear o ano de 2018, bem como a preparação Olímpica que cada vez está mais próxima.

 

Mundial de Surf Adaptado, no final do mês, na Califórnia, é uma estreia. Fale-nos um pouco disso, de como se conseguiu unir esforços e ter um atleta a representar Portugal?

A FPS iniciou, em 2015, o projeto de desenvolvimento do surf adaptado. Durante estes dois anos foram identificados vários praticantes que integraram uma lista de potenciais membros da equipa nacional. O conceito de equipa nacional é idêntico para todas as disciplinas da FPS, ou seja, os atletas que são convidados, passam a ser observados e orientados para poderem estar preparados para as competições internacionais. Os respetivos treinadores são informados e participam na elaboração dos objetivos para a época desportiva e as estratégias a seguir. Por outro lado, a equipa nacional pode sempre ser renovada com a inclusão de novos elementos, sempre que tal se justifique. Assim, a partir deste momento, qualquer praticante que considere estar dentro dos critérios, pode solicitar uma observação para que sejam avaliadas as suas competências e criada a possibilidade da sua inclusão na equipa, com a identificação da respetiva classe.

Mais recentemente, foram criados os critérios de seleção para o campeonato do mundo a disputar nos Estados Unidos da América, podendo estes ser diferentes para cada uma das participações internacionais. Para poder ser selecionado existirá sempre o critério de previamente pertencer à equipa nacional, sem o qual ninguém pode ser convocado para uma participação internacional. Por outro lado, graças ao IPDJ acreditar que estamos no bom caminho e que merecemos mais e melhores apoios, concedeu-nos uma verba destinada a viabilizar esta participação. Ainda este ano, a FPS fará a sua estreia no Campeonato do Mundo de Surf Adaptado em La Jolla, em San Diego na Califórnia, com a Seleção Nacional representada pelo atleta Nuno Vitorino que, com mais tempo e qualidade na preparação, se apresentou dentro dos critérios estabelecidos.

 

"É evidente que existe muito trabalho a fazer

e todos os dias a direção da FPS procura as melhores estratégias"

 

- Em maio último, a equipa portuguesa sagrou-se vice-campeã mundial de surf. 

 

Jogos Olímpicos de 2020. Já se sabe como funciona o processo de seleção e de quantos surfistas terá cada nação? 

Nesse campo continuamos a aguardar a informação que tarda em aparecer e que irá definir toda essa questão da participação. Ainda sem confirmação oficial, têm surgido informações onde é colocada a hipótese de cada país ter 2 participantes masculinos e 2 femininos, com a possibilidade de existir uma quota diferente para as grandes referências mundiais (Austrália, Estados Unidos, Brasil), comparativamente com as restantes nações. Não podemos esquecer que através do espirito olímpico é suposto estarem representados todos os continentes, mas com um limite de 20 participantes masculinos e 20 participantes femininos, não haverá lugar para todos. Acreditamos que até ao final de dezembro já se deve ter uma informação oficial.

 

Que trabalho está a ser feito pela FPS já a pensar nessas Olimpíadas?

Como ainda não sabemos os critérios de qualificação para os Jogos Olímpicos 2020, procurámos identificar alguns critérios que permitissem selecionar os atletas portugueses com possibilidade de alcançar a qualificação, e com a colaboração do Comité Olímpico de Portugal começamos a desenvolver o programa de preparação olímpica. Assim temos como referência o número máximo de 2 participantes, podendo ser acrescentado mais um no programa de preparação, mas só depois da confirmação oficial do Comité Olímpico Internacional, poderemos fechar a equipa olímpica. De momento, tendo em consideração os resultados internacionais (nas provas da ISA e da WSL), contamos com a presença de Frederico Morais e de Vasco Ribeiro no setor masculino e de Teresa Bonvalot e Carol Henrique no setor feminino.

De momento estamos a analisar as principais necessidades para cada um dos atletas, de forma a potenciar as condições de trabalho de cada um deles. Contamos fazer um conjunto de avaliações médicas, físicas e técnicas, com o apoio do CAR Jamor e estamos a programar uma cooperação entre a equipa técnica e clinica da FPS com as equipas do Comité Olímpico de Portugal. Depois serão incluídos os grupos de trabalho de cada um dos atletas, de forma a coordenar o seu planeamento anual, com o ciclo olímpico e conjugar os seus objetivos pessoais com os objetivos para tornar possível esta primeira participação olímpica.

Também já foram identificados elementos passíveis de integrar as Esperanças Olímpicas, onde são apoiados os jovens talentos com possibilidade de participar nos Jogos Olímpicos 2024, em Paris, e temos mantido um estreito diálogo e colaboração com o Comité Olímpico de Portugal que tem sido extremamente benéfico para todos. No entanto só será apresentada publicamente esta equipa, no momento em que existam confirmações da participação do surf nos Jogos Olímpicos 2024.

  

"Neste momento, em 2017, registamos 2347 federados

dos quais 1546 na modalidade surf"

 

 

- Na Noruega, durante o EuroSurf 2017, do qual a seleção nacional saiu campeã. 

 

Quantos federados em Surf existem atualmente? E quantos praticantes de Surf se estima existir em Portugal?

Neste momento, em 2017, registamos 2347 federados dos quais 1546 na modalidade surf. Quanto a dados de praticantes, os mesmos estão desatualizados mas apontavam para valores na ordem dos 200.000 praticantes de Surfing (que engloba todas as modalidades de deslize).

 

Como analisa a crescente evolução do Surf nos últimos anos?

Tem sido um crescimento meteórico a todos os níveis. Praticantes, técnicos, estruturas, eventos, indústria, etc. Infelizmente, também tem sido um crescimento descontrolado e com muita falta de ordenamento. Atualmente encontram-se em estudo alguns projetos, desenvolvidos pela FPS, que vão ajudar a organizar, em conjunto com organismos públicos portugueses, esta situação. Mas estas novidades serão comunicadas em breve.

 

Desde 2013, altura em que tomou as rédeas da presidência da FPS, como considera o trabalho que tem vindo a ser efetuado pela sua equipa de trabalho?

Acredito que estamos a fazer o melhor possível dados todos os constrangimentos existentes, especialmente ao nível dos financiamentos, e que os resultados tem sido uma constante do nosso trabalho. Também se pode verificar que a estrutura competitiva dos desportos da FPS está mais desenvolvida e que cada vez há mais praticantes. Por outro lado, temos uma ligação e entrosamento com os organismos públicos e governo central e um enorme crédito junto dos mesmos que se tem traduzido em melhores, - mas não suficientes -, apoios.

Resumidamente podemos referir que há uma aposta na formação de treinadores, com a validação dos referenciais de formação, por parte do IPDJ, de forma a que todas as entidades formadoras em Portugal sigam as diretrizes da FPS para a formação em Surfing (Grau I) com uma posterior especialização (Grau II) em Surf, Bodyboard, SUP. E há uma aposta nas equipas nacionais, com o acompanhamento dos atletas ao longo do ano e um contacto direto com os seus treinadores, de forma a potenciar o seu nível e permitir uma escolha, com um maior numero de opções para a seleção de nacional. Assim as participações internacionais tendem a ser com a melhor escolha, em função das características da competição, das disponibilidades de cada atleta e do seu nível de preparação.

 

"Junto com a direção técnica, procuramos desenvolver

e procurar novos talentos, bem como potenciar os já existentes"

 

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Nota: Todas as fotografias cortesia FPS.

AF. 

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